04/08/2010 - Boletim Diário Coinvalores, 03/08/2010
Após sessões de alta nos mercados ao redor do mundo, a terça-feira (3) foi marcada pela realização de ganhos tanto lá fora como por aqui, com as bolsas impactadas ainda por uma sequência de resultados abaixo do esperado reportados nos EUA. Por aqui, o Ibovespa interrompeu sequência de onze altas consecutivas e recuou 0,76%, a 67.997 pontos.
O saldo do investidor estrangeiro na BM&F Bovespa volta a ficar positivo durante o mês de julho. Entre 1 e 30 de julho, foram computadas compras de R$ 32,979 bilhões e vendas na casa de R$ 29,471 bilhões, o que garante saldo positivo de R$ 3,508 bilhões. No ano, o quadro agora está positivo em aproximadamente R$ 569 milhões.
Bolsa
Ao contrário do pessimismo que imperou no pregão, as ações da Petrobras fecharam em forte alta, ajudando a diminuir as perdas do Ibovespa. Dentre as notícias sobre a empresa, destaque para a sanção do presidente Lula na segunda-feira à lei que cria a Pré-sal Petróleo, companhia estatal que irá gerenciar as atividades exploratórias na região do pré-sal. A petrolífera ainda comunicou nova descoberta de indícios de hidrocarbonetos à ANP e desmentiu na véspera que possui qualquer pretensão de alterar o "desenho de sua capitalização".
Mas o grande destaque de alta da sessão ficou com as ações da MMX, que disparam no Ibovespa durante a tarde, liderando os ganhos do índice, respondendo a rumores de que a ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo deseja adquirir os ativos de minério de ferro da empresa. A companhia afirmou à InfoMoney que não comenta rumores de mercado.
Na ponta negativa, as ações da GOL lideraram as perdas do índice, repercutindo problemas com atrasos em voos enfrentados desde sexta-feira, fato que foi atribuído pela companhia ao intenso tráfego aéreo em malha. Os papéis da TAM também fecharam em queda acentuada.
Entre os resultados, o Itaú Unibanco somou lucro líquido de $ 3,165 bilhões entre abril e junho desse ano, crescimento de 23,1% frente ao mesmo período de 2009. O patrimônio líquido totalizou R$ 55,074 bilhões em 30 de junho, ante R$ 47,269 bilhões na mesma data do ano passado. Por sua vez, a carteira de crédito total chegou a R$ 296,192 milhões. As ações do banco recuaram.
A fabricante de aviões Embraer divulgou queda de 78,6% em seu lucro líquido no segundo trimestre deste ano, embora tenha elevado seu guidance. As ações subiram.
A TIM também anunciou seus resultados, revelando lucro líquido de R$ 101,4 milhões no segundo trimestre de 2010 - desempenho 67,6% aquém do obtido no mesmo período de 2009. Segundo a companhia, a queda se explica por um "impacto positivo no ganho cambial no segundo trimestre de 2009", quando os ganhos líquidos totalizaram R$ 313,0 milhões. Os papéis da TIM fecharam em queda.
Agenda e noticiário
Diferentemente dos fortes números registrados nos meses anteriores, as principais montadoras do mundo revelaram que suas vendas de automóveis dentro da economia norte-americana tiveram um crescimento mais modesto em julho, girando entre 3% e 5,5% de alta na comparação com o mesmo mês de 2009. Contudo, algumas asiáticas e a Porsche conseguiram relatar números mais significativos no período.
Ainda nos EUA, os resultados de Procter & Gamble, Dow Chemical e Mastercard decepcionaram as previsões dos analistas. Pela agenda econômica, os indicadores de renda e gasto do consumidor não registraram variação entre maio e junho. Dessa forma, o núcleo do PCE, um dos índices de inflação mais observados pelo Federal Reserve, não registrou variação no período, enquanto o mercado esperava alta de 0,1%.
Ainda por lá, o número de contratos de compra e venda de casas usadas veio melhor que as expectativas, enquanto o Factory Orders, que mede o volume de encomendas à indústria, registrou resultado pior que o esperado pelo mercado.
No front doméstico, destaque para o recuo de 1% na produção industrial brasileira entre maio e junho. Entre os indicadores de inflação, o IPC-Fipe referente ao mês de julho apontou variação positiva de 0,17%, abaixo da variação de 0,20% projetada pelo mercado no último relatório Focus.
Dólar
Ganhando forças diante dos sinais desfavoráveis da economia norte-americana, o dólar comercial conheceu sua primeira alta após três sessões consecutivas de queda, fechando nesta cotado na venda a R$ 1,76 – variação positiva de 0,51%.
Contudo, apesar de ter registrado apreciação em relação ao real, o dólar seguiu em trajetória declinante frente a importantes divisas do mundo, como o iene, o euro e a libra esterlina. Com isso, o “dollar index”, índice que mensura o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas, atingiu seu menor patamar desde abril durante o intraday desta terça-feira.
O Banco Central manteve ativas suas intervenções no mercado cambial à vista, ao realizar um novo leilão de compra de dólares. A operação ocorreu entre as 14h24 e as 14h34 (horário de Brasília) e contou com uma taxa de corte aceita em R$ 1,76.
Renda Fixa
Os contratos de juros futuros negociados na BM&F encerraram predominantemente em alta nesta sessão, com oscilações mais fortes no longo prazo. O contrato de juros de maior liquidez nesta terça-feira, com vencimento em janeiro de 2011, registrou uma taxa de 10,81%, 0,01 ponto percentual acima do fechamento da véspera.
O mercado de títulos da dívida externa fechou em queda. O título brasileiro mais líquido, o Global 40, fechou com desvalorização de 0,03%, cotado a 136,75% do valor de face. Com isso, o indicador de risco Brasil, calculado pelo conglomerado financeiro JP Morgan, registrou alta de 3 pontos-base em relação ao fechamento anterior, atingindo 205 pontos-base.
Fonte: Boletim Diário Coinvalores, 03/08/2010
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