10/09/2009 - Consumo deve impulsionar PIB no trimestre e tirar País da recessão técnica
SÃO PAULO - Enquanto projetam retrações em comparação ao mesmo período do ano anterior, os analistas enxergam uma melhora nas condições econômicas frente aos primeiros três meses de 2009 - e, consequentemente, estimam que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro avance frente ao resultado do trimestre anterior. O resultado, segundo Bráulio Borges, economista-chefe da LCA, o marca o fim da "recessão técnica" na economia brasileira.
Para o Credit Suisse, que também afirma que a recessão foi, muito provavelmente, interrompida no segundo trimestre de 2009, a mediana das expectativas do mercado para o trimestre é uma expansão de 1,7% frente ao primeiro trimestre, e de contração de 1,4% ante o mesmo trimestre em 2008. O banco suíço projeta ainda crescimento de todos os componentes do PIB em comparação trimestral, com exceção de importações.
Consumo puxa PIB
Segundo os analistas consultados pela Infomoney, o principal fator responsável pelo avanço do PIB brasileiro será o consumo das famílias - que representa aproximadamente 60% do produto do País. Para os analistas, foi impulsionado pela manutenção da renda elevada e do consumo.
A recuperação do crédito pelas pessoas físicas também contribui para manutenção e crescimento do consumo das famílias, assim como os programas do governo de isenção fiscal. "A melhora da confiança e a estabilização do mercado de trabalho, depois da forte piora no final de 2008 e início de 2009, também trouxe mais otimismo para o consumidor, e ajudou o consumo das famílias a liderar a recuperação do PIB no segundo trimestre", afirma Borges.
Segundo Bernardo Wjuniski, economista da Tendências, o crescimento deve ser de 1,7% em comparação trimestral. Para Borges, o crescimento deve ter sido ainda maior, com avanço de 2% em comparação com os primeiros três meses do ano, já descontando a sazonalidade.
Mas indústria gera controvérsias
Enquanto o consenso dos analistas em relação à demanda é o consumo familiar, há um desacordo na análise do lado da oferta. Segundo Thaís Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg & Associados, a indústria permanece sendo o setor com desempenho mais negativo. Da mesma forma, Sergio Manoel Correia, economista da LLA Investimentos também aponta a produção industrial como destaque negativo. "O crescimento do setor tem sido muito mais lento, menor do que o mercado imaginava".
Os analistas do Credit Suisse também concordam com as projeções, e colocam a indústria como provável principal destaque de contenção do PIB no trimestre. "Projetamos uma contração de 8,3% em comparação anual, com ênfase para construção civil e indústria de transformação. Esse desempenho seria compatível com uma expansão da indústria de 1,6% frente ao primeiro trimestre de 2009", afirmam.
Já para Wjuniski, a indústria é o principal destaque do lado da oferta. A Tendências, que projeta 1,8% de crescimento em relação aos primeiros três meses do ano para o setor, aponta sinais de recuperação. "Isso é resultado da forte recuperação nos últimos meses, que tem sido mostrada pelas últimas divulgações", explica Wjuniski. Além disso, segundo o economista, ainda existe muita capacidade ociosa na indústria, e a tendência de melhora deve continuar até 2010.
Da mesma maneira, Borges acredita que, pela perspectiva das ofertas, quem deve ter puxado o resultado do segundo trimestre é o setor industrial. "Depois de ter desabado no final do ano passado e no primeiro trimestre, o PIB industrial deve ter crescido em torno de 2% na margem", afirma Borges. Para ele, isso ocorre não somente devido a uma recuperação da demanda - mas também porque a indústria agora já se desfez dos estoques elevados no primeiro trimestre. "Como já iniciou o trimestre com estoques mais normalizados, pode acelerar o ritmo de produção".
Investimentos e Serviços
A formação bruta de capital fixo deve continuar atrapalhando o resultado do PIB brasileiro. Para os analistas, os investimentos devem ter variação negativa ou nula no trimestre - o que indica uma grande melhora em relação ao primeiro trimestre do ano, quando a retração foi de mais de 12%. "Não acreditamos numa reversão da trajetória dos investimentos, mas já é uma tendência de melhora", afirma Wjuniski.
"A interrupção da queda da formação bruta de capital fixo pode ser considerada uma notícia positiva, já que foi um dos componentes que mais tombou no PIB. Entretanto, é uma notícia boa e ruim - porque ele parou de cair, mas continua muito baixo e não tem mostrado recuperação", explica Borges.
Já o setor de serviços deve continuar se destacando. Para Wjuniski, o setor deve apresentar uma continuidade da recuperação que já havia se mostrado no primeiro trimestre. "Esperamos um crescimento razoável, de 1,3% em relação ao trimestre anterior", afirma o economista. Segundo ele, o crescimento menor também se dá devido a uma base mais elevada, já que o setor foi menos impactado pela crise. O Credit Suisse também aposta numa expansão de 1% de serviços no segundo trimestre, em comparação trimestral, mesmo considerando o grau elevado de incerteza sobre o desempenho do setor.
Projeções para 2009
Os analistas também se dividem nas projeções para 2009, com expectativas que colocam o PIB no campo positivo e no negativo. Para Borges, o produto deve encerrar o ano ligeiramente positivo, com crescimento de 0,3%. Segundo ele, o número deve ser segurado pelo consumo familiar, que deve registrar avanço de 3,5% no ano - rebatendo os efeitos das quedas das exportações e investimentos, que devem fechar 2009 com quedas de dois dígitos, ou próxima de dois dígitos. Thaís Marzola Zara também prevê um crescimento positivo do PIB em 2009, com avanço de 0,3% no ano.
Por outro lado, a projeção da Tendências é de retração de 0,6%, número que vai ser revisto após a divulgação dos resultados trimestrais na próxima sexta-feira. "Não diria que ele vai se tornar positivo, mas há um viés de alta caso os resultados esperados do segundo trimestre se confirmem", afirma Wjuniski.
Apesar de não ter número formal de projeção do PIB, a LLA Investimentos acredita ser provável que o PIB feche o ano em torno de 0,5% negativo. "Até por efeito estatístico, a queda no final do ano passado - o produto teria que crescer muito para passar para o campo positivo". Para Correia, o PIB no quarto trimestre deve apresentar um crescimento mais forte, mas não deve voltar ao campo positivo.
Segundo o Credit Suisse, com o provável resultado do PIB no trimestre, aumenta a probabilidade de expansão do PIB em 2009. "Considerando nossa projeção para o segundo trimestre, um crescimento do PIB de zero em 2009 exigiria uma expansão de 1,9% por trimestre nos trimestres subsequentes".
Confira as projeções dos analistas para o PIB do segundo trimestre:
Analista 2T09 / 1T09 2T09 / 2T08
Credit Suisse +1,5% -1,6%
LCA +1,8% -1,4%
Rosenberg & Associados +2% -1,1%
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2
3
4
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